Será que o meu auge já passou?

Se você está em algum lugar perto dos 30 anos, provavelmente essa pergunta paira sobre a sua cabeça – principalmente se você teve uma rápida ascensão millenial logo depois da faculdade, quando entrou pro mundo corporativo por volta dos 22 anos cheia de brilho nos olhos e algum tempo depois descobriu que era tudo uma ilusão e tudo o que te restou foi uma crise de burnout e menos cabelo na cabeça. A questão é que agora você se sente perdida, apesar da sua psicóloga te garantir que você está tomando decisões melhores. Cadê aquela garota de 22 anos de idade que trabalhava todos os dias até tarde e tinha uma carreira promissora?

Acontece que quando a gente olha pra trás, costuma lembrar só das partes boas – tipo aquele seu ex-namorado que era uma pessoa horrível mas por algum motivo sua memória insiste em repassar aquela única vez que ele foi uma pessoa aceitável. Inevitavelmente, começamos a acreditar que a nossa melhor fase foi quando éramos mais jovens, mais magras (!!!), com mais energia, mais inocentes e otimistas. Ah, como é difícil envelhecer como mulher num mundo de botox e cirurgias plásticas – socorro, é um absurdo eu ter essa sensação antes de fazer 30 anos. Enfim.

Depois que a gente se conhece melhor e faz terapia por algum tempo, entendemos que a década dos 20 anos serve justamente pra entender o que a gente quer ou não da nossa vida, então inevitavelmente começamos a repensar sobre o que consumimos, com quem nos relacionamos, quais lugares frequentamos, com o que trabalhamos e como decidimos usar o nosso tempo. E a consequência dessas escolhas, muitas vezes, é mais difícil do que a gente pensava. A gente se sente sozinha, perdida, num limbo entre as coisas que a gente costumava ser e as coisas que ainda não alcançamos.

Enquanto isso, pessoas que nunca fizeram terapia parecem mais felizes que você (e você jura que preferia ser a pessoa que era antes de começar a terapia) e crescem na carreira que você uma vez já quis, e é aí que vem a sensação: será que meu auge já passou? Porque agora tudo que você tem são crises existenciais e dúvidas sobre o seu propósito, enquanto meninas de 16 anos fazem mais dinheiro que você no Tiktok. Quem foi que nos prometeu sucesso, felicidade, independência e carreiras sólidas antes dos 30?

De qualquer forma, apesar de nos sentirmos sem esperança, continuamos desenhando um caminho que parece fazer mais sentido pra gente, construindo nosso futuro um passinho de cada vez, mesmo em dias difíceis, mesmo quando nada mais parece fazer sentido. Às vezes, você tem a sensação que as coisas vão se encaixar porque suas escolhas parecem mais verdadeiras e proprietárias, e às vezes você se pergunta se alguma coisa vai dar certo na sua vida. Mas você continua, e essa é a parte mais importante.

Eu vejo você tentando. Eu vejo você indo atrás das suas conquistas, mesmo que ninguém mais acredite em você. Eu vejo você juntando dinheiro pra dar entrada no seu primeiro apartamento com o dinheiro que você suou tanto pra juntar, mesmo com todos os problemas em casa e sua mãe te pedindo dinheiro. Eu vejo você estudando dia após dia pro concurso que eu tenho certeza que você vai passar, mesmo nos dias que você não tem ninguém do seu lado te apoiando. Eu vejo você construindo a sua história, o seu negócio, o seu apartamento, e finalmente a relação de amor com você mesma que você tanto lutou pra conquistar.

Eu sei que parece que muita coisa não faz sentido mas, olha só, você finalmente começou a se colocar em primeiro lugar. Toda vez que você precisou, você foi capaz de cuidar de você mesma. E cuidar do seu corpo, da sua cabeça e se proteger daquilo que não te faz bem. E eu te garanto que a sua versão de 5 anos atrás ficaria surpresa com toda a sabedoria que você tem agora, com tanta coisa que não era pra você que você foi capaz de deixar pra trás, e com tanta coisa linda que você vem construindo. Olha pra você, você está cada vez mais forte. E você é capaz de coisas gigantes.

Com amor,

Nina

Deixe um comentário