Eu tinha certeza de que quando eu fizesse 30 anos eu seria essa mulher bem-resolvida com uma carreira astronômica fazendo algo inteligente mas ao mesmo tempo autêntico pelo qual eu seria estranhamente obcecada, já teria saído na lista da Forbes Under 30, tomaria drinks na cidade com as minhas amigas nas quintas-feiras à noite, seria furiosamente feliz e realizada, teria encontrado o comprimento perfeito para o meu cabelo e (acima de tudo) pesaria 50 quilos. Mas, sei lá. Meio que nada disso aconteceu.
O que realmente aconteceu é que eu tenho uma chefe que fala comigo de uma forma cautelosa demais, como se a qualquer momento eu fosse explodir a bomba que instalei no andar de baixo. Eu passo a maior parte dos meus dias escrevendo e-mails pra pessoas que eu não gosto sem tentar soar grossa nem insegura demais (como um homem de 45 anos faria), enquanto crio apresentações sobre temas sobre os quais não tenho o menor interesse, mas que me deixam estranhamente nervosa quando tenho que apresentar em público, o que me irrita profundamente já que com 30 anos eu deveria ser uma mulher completamente segura.
A verdade é que metade do tempo eu estou trabalhando e a outra metade estou pedindo para o Chatgpt resolver os meus problemas, enquanto tento manter a academia em dia, não deixar as minhas unhas ficarem absolutamente horríveis e lavar o cabelo pelo menos duas vezes na semana, além de fazer compras de mercado, cozinhar, deixar a casa arrumada e tentar me divertir no meu tempo livre (mas quem é que tem tempo para isso?).
Outra coisa é estar sempre pensando em como abrir um negócio que eu realmente goste, ou quando eu finalmente vou conseguir equilibrar tudo pra me sentir preparada pra ter filhos, se fazer o mínimo já me deixa cansada demais? É uma eterna sensação de nada ser bom o suficiente, e ao mesmo tempo não ter ideia de como mudar de vida sem ser jogando na loteria, já que não tenho tempo pra nada.
Fazer 30 anos é, de certa forma, descobrir que o desconforto faz parte da vida. Sabe aquela sensação de chegar em casa, tirar a calça jeans, arrancar o sutiã, colocar seu pijama preferido, deitar no sofá da sua casa, pegar uma taça de vinho e ainda assim se sentir desconfortável, e então perceber que talvez o problema seja você?
Enquanto eu achava que a essa altura já teria todas as respostas, o que me parece é que a vida é mais sobre aceitar que não teremos resposta nenhuma. Que o desconforto continua, as dúvidas continuam, os medos nos acompanham aonde vamos, as inseguranças não vão todas embora. Por outro lado, a gente começa a se sentir melhor. É muito estranho, como se aceitar como a vida realmente é deixasse as coisas mais fáceis.
Acho que nós vamos ficando mais espertas, mais independentes, menos inocentes e mais seguras de quem somos. O que não quer dizer que temos tudo resolvido, mas que a gente vai aprendendo a fazer as pazes com todos esses sentimentos esquisitos. E no meio de tudo isso, aprendemos a apreciar o nosso caminho. A entender que as nossas escolhas são autênticas, nossas decisões são verdadeiras, a ter certeza de quem somos e de que não trocaríamos nossas crenças pra ter uma vida diferente.
Eu gosto de pensar que eu ainda tenho tempo, que só porque não tenho tudo resolvido aos 30 não quer dizer que as coisas não vão melhorar. Gosto de pensar que me conheço cada vez mais, sou fiel a mim mesma e que isso ainda vai abrir muitas possibilidades. Em um mundo de tantas ilusões, personas e vidas de mentira, saber que vivo uma vida real me parece quase uma benção.
Enfim, agora que cheguei em casa, vou tirar minha calça jeans, arrancar o sutiã, colocar meu pijama preferido, deitar no sofá da minha casa e pegar uma taça de vinho. E não trocaria isso por nada.
Com amor,
Nina
